O Mindfulness no ambiente corporativo merece nossa atenção!

A aplicação da meditação mindfulness precisa ser revista, para não ser vulgarizada. Ela merece respeito!

Em uma empresa XYZ, em algum lugar do Brasil, João recebe um e-mail informando que a empresa oferecerá sessões de meditação mindfulness aos funcionários. Em um layout maravilhosamente lindo e ilustrativo, é possível ver as inúmeras vantagens desta técnica, como redução do estresse, foco, diminuição da síndrome de burnout, e tudo o mais que esteja "atrapalhando" a qualidade de vida, ou melhor, atrapalhando o desempenho no trabalho!

João confirma a presença nas sessões, afinal não é louco em ser o único a não ir. E o mais importante: As sessões seriam no horário de trabalho, ou seja, uma forma de relaxar um pouco sem perder seu horário de almoço.

O instrutor recebe a todos de forma muito gentil no auditório da empresa. Por cerca de exatos 40 minutos apresenta a meditação mindfulness. Diz que a prática é para todos, mostra milhares de estudos sobre os benefícios, comenta sobre as empresas que adotaram esta prática aos funcionários. (Sempre o exemplo batido do Google, Facebook, etc.)

Uma sonora salva de palmas contagia o auditório.

Então ele (ou ela), pede para que todos fechem os olhos e se preparem para uma experiência transformadora de mindfulness.

O instrutor, então, começa a guiar as pessoas pelos próximos 20 minutos, com palavras relacionadas as sensações do corpo, compaixão, respiração. Ao final dos 20 minutos, a meditação guiada acaba.

A sensação de relaxamento e silêncio paira no ar por alguns instantes. Tem-se um misto de euforia por parte de uns, descredito por parte de outros, e de bem-estar por parte de todos.

E assim termina a primeira sessão de mindfulness na empresa. E após um mês e meio terminam todas as sessões. E após uma semana tudo voltou ao normal, exceto o nível de cobrança dos chefes e diretores que havia aumentado!

Comento:

Esta é uma estória real que infelizmente vem se tornando cada vez mais comum. A empresa busca um profissional de mindfulness para ajudar as pessoas a meditar, a melhorar sua qualidade de vida. Quer com isso melhora na produtividade dos funcionários (e não há nada de errado nisso!) e o instrutor de mindfulness diz "que vai fazer acontecer"!

Creio sinceramente na capacidade transformadora do mindfulness, porem quando aplicado da forma correta. E ser correto implica em ser sincero.

Não há nada de errado em levar as práticas de mindfulness para o ambiente corporativo.           O problema está no objetivo que o RH quer alcançar e no que o instrutor promete entregar. E é aí que começam os problemas e sucessivamente a escolha errada de um profissional de mindfulness.

Vivemos em um mundo competitivo, mas não podemos esquecer as origens das coisas. O mindfulness foi criado com uma determinada intenção. Foi aplicado, primeiramente, em hospitais, pelo seu criador Jon Kabat Zinn. Sua composição vem das práticas meditativas budistas e do Yoga.

E o que prega o Budismo, o Yoga? Provavelmente não foram criadas para melhorar a performance no trabalho. Tenho certeza de que nem o Buda, nem Patanjali nem mesmo Jon Kabat Zinn (criador do Mindfulness tal como conhecemos) pensou que estas práticas seriam aplicadas em contextos tão diversos.

O mindfulness no ambiente corporativoajuda, é verdade. Se colocado de maneira correta, sem falsas promessas, pode ajudar na qualidade de vida do funcionário da empresa, com certeza! O que não se pode, entretanto, é o profissional de mindfulness transformar a técnica em uma PANACEIA, onde tudo poderá ser resolvido! Até mesmo gripe, resfriado, tristeza, e por aí vai.

Posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que existem grandes profissionais nesta área no mercado. Que conhecem e respeitam os conhecimentos do mindfulness. 

- É preciso honrar o mindfulness, disse um grande professor, que é referência em mindfulness no Brasil e no Mundo, Prof. Dr. Marcelo Demarzo.

Faz todo sentido.