O Yoga é um caminho para sair do "Show de Truman"

10/03/2020

Estamos vivendo em uma grande bolha?

Ouvi essa frase em uma das minhas aulas do curso de Pós-Graduação em Yoga e, confesso, ela ficou na minha cabeça por um bom tempo. O que o professor quis dizer com isso, ou melhor, o que isso tem a ver com o Yoga.

Uma das minhas metas com o projeto Namastê-lo é tentar, na medida do possível e respeitando a tradição, simplificar um pouco as coisas para aqueles que querem iniciar na pratica do Yoga. Dessa forma vou colocar o que penso sobre a afirmação do professor, correlacionando com o conhecimento da tradição do Yoga.

De acordo com a tradição do Yoga, todos nós vivemos na ilusão (maya - em sânscrito). Nosso objetivo com a prática é nos libertarmos desse estado para nos unirmos com o todo. É unir o nosso "eu individual" com o "todo"...e por ai vai.

Agora feche os olhos e pensa um pouco no filme Show de Truman. Lembrou? Bom podemos dizer que o maya é a realidade que o Truman vive. Nada daquilo é, de fato, real.

As pessoas não SÃO. Elas ESTÃO. Elas representam personagens. O que os une? O fato de que todos ali são iguais, ou seja, atores. O Truman, por viver no modo automático, não se da conta de nada disso. Tudo parece ser o que é. Estável e previsível.

Podemos dizer que o Yoga, sendo um sistema filosófico pratico, ofereceria ao Truman a possibilidade de sair dessa bolha. Se ele seguisse o sistema de 8 passos de Patanjali ele se daria conta da realidade, e não sofreria tanto. Sendo simplista, se ele seguisse preceitos éticos como não roubar, não ser violento, ter autodisciplina, realizar posturas psicofísicas, controlar a respiração e os sentidos, praticar exercícios de concentração e meditar ele poderia, de uma vez por todas, sair dessa bolha e perceber que tudo ali eram personagens e cenários fictícios. Até sua noção de tempo seria diferente! (Afinal quem disse que esse tempo que vivemos se resume a nascer, viver e morrer...e acabou?)

Esse é o caminho que o Yoga propõe. Veja que não é um punhado de posturas onde você sai pingando de suor e se gabando do alongamento. É muito mais do que isso. É um caminho, uma forma de encarar a vida, uma ciência da autorrealização. Em outras palavras...é sair da nossa própria bolha!